top of page

AÇÃO CRIATIVA COMO ACONTECIMENTO

  • 5 de abr. de 2021
  • 2 min de leitura

Atualizado: 9 de nov. de 2022


A criação implica uma duração, tem que ter um acontecimento de potência afetivo, seja do corpo ou seja do pensamento, que gere variação, que faça com que isso vire combustível de criação e efetivamente crie algo de essencial dessa criação. Não é nem tanto o que o outro vai aproveitar “ah estou fazendo arte para os outros, para dar consciência para a sociedade”. Mentira! A arte se faz essencialmente para modificar a si mesmo. “Ah, mas isso é egoísmo”. Desde quando existe ego aqui? O ego aqui é um mero efeito de submissão. Existe uma pluralidade, uma coletividade em mim, antes de ter um eu, essa falsa unidade. A única unidade é aquela que continua o meu modo de existir, no sentido de produzir a mim mesmo e, eu diria: produção de subjetividade? não! Processo de singularização ou produção de singularidades ou de singularizações. O que é uma singularidade? Não tem nada a ver com o indivíduo e nem com o eu. Nem com o indivíduo físico e nem com o eu lógico ou com o eu moral, muito menos com deus. Singularidade é o modo necessário sem o qual, aquilo que acontece a mim, não é alimento de continuidade a mim mesmo. Não aumenta a minha capacidade de existir. A singularização necessariamente faz isso, sempre que me singularizo, eu me efetuo de um jeito tal que tudo que se passa retorna sobre mim, há um devir que me preenche, há um tornar-se diferente de mim mesmo o tempo inteiro que faz com que eu me fortaleça eu me torne, cada vez mais, capaz de acontecimento e de abertura. E eu vou ser o contrário de um crente, de um idealista, de um utopista, de um melancólico, de um depressivo ou de um politicamente correto ou até de um politicamente incorreto. Vou ser contrário a essas coisas todas. Por que? Porque eu estou gerando realidade e gerando valor. O valor não está pronto. O que é o valor? O valor nada mais é do que essa linha de continuidade, da força que me constitui e que me intensifica. Então, é uma continuidade intensiva, é isso que vale. Então o que vale, é uma forma, é um significado, é um objeto ideal? Não! O que vale é um horizonte imediato abstrato de mim mesmo que me põem em continuidade com as minhas intensidades e não com as minhas intencionalidades. Como dizia Deleuze “a boa intenção será forçosamente punida”. Necessariamente ela é punida “ah, é assim que vocês me recompensam, olha tudo o que eu faço, meu esforço, eu ainda acredito no ser humano, eu tenho esperança”. Esperança? A esperança é uma paixão triste, é na verdade, uma cretinice ter esperança, ao invés de investir na espera, então. Dizia a Susana antes “não se sabe mais esperar”. Claro, não se investe na espera, a espera é carimbada com um aspecto negativo. No entanto, a espera tem muito mais a ver com a atividade do que a esperança. A esperança é o contrário, é uma paixão triste ainda, além de tudo, a espera é uma espreita. O que é uma espera, a espera implica confiança, implica no acolhimento do acontecimento que vem inclusive o pior, eu que saiba aproveitar.

 
 
 

Comentários


bottom of page